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ColonoMeu irmão mais velho José, já há 37 anos que se encontrava em Moçambique sem nunca ter visitado a sua terra Natal, onde teve uma fazenda. Na dureza do trabalho no mato quase esqueceu os irmãos. Como muitos outros colonos, acreditou na perenidade do Portugal em África. Integrou-se. Com uma negra, Maria Sand, fundou uma família, teve oito filhos.Na guerra colonial principiou a duvidar. Mas resistiu. Após a independência da sua terra de adopção, meu irmão José conheceu o desespero e esteve por mais de uma vez à beira da morte. Foi espoliado, preso, espancado e salvou-se in extremis da execução, à beira de uma cova que o obrigaram a abrir. De todas as vezes, com a resistência de um velho colono endurecido pela vida na floresta, encontrou forças para ficar a lutar.No mês de Janeiro de 1991, veio o golpe final. Gravemente ferido numa emboscada da Renamo, depois de ter ficado horas a esvaiar-se em sangue, só a solidariedade dos irmãos deve o estar vivo. Em Maio de 1991, voltou a Viana do Castelo, depois de ter estado hospitalizado num hospital da África do Sul, ajudado pelo meu irmão Adelino.Torturava-se a imaginar formas de recomeçar a vida aos 56 anos, dispensando a generosidade da família.Falo pessoalmente com o Presidente da Câmara que a meu pedido lhe dá trabalho como carpinteiro. Hesita sobre como poderia mandar vir a sua gente do mato, a mulher e os oito filhos. Estava desiludido, não acreditava nos frutos imediatos da paz em Moçambique. Tinha esperança num último recurso que era obter licença de exportação das madeiras preciosas da sua fazenda, no Chimoio (antiga Vila Pery) e encontrar para elas comprador, bem como descobrir um investidor interessado em explorar umas minas de amianto de que apenas ele sabia a localização. Fantasia? Não. Foi na exploração de minas que se iniciou na sua vida aventurosa de colono em África.A história principia em 1954, quando o meu pai, se instalou em Moçambique, levando com ele, os meus irmãos José e Manuel. Da longa narração que o meu irmão José me fez das suas aventuras e desventuras, escrevo um sugestivo resumo.O primeiro grande rasgo que lhe aconteceu quando, após algum tempo de trabalho na barragem de Chicamba, com a tropa cumprida no quartel de Paiva Manso em Lourenço Marques, se dedicou à pesquisa de minas de amianto na região de Sussedenga-Manica.Decorria tranquila a década de 50, mas acastelavam-se nos horizontes as nuvens da guerra. O meu irmão, porém, não cuidava disso. O seu objectivo era talhar um caminho de prosperidade. Afinal, fora seduzido pela riqueza de África.As oportunidades de trabalho não faltavam, então, para um branco possante e empreendedor, disposto a enfrentar as agruras da vida do mato. Dentro de pouco tempo, passou a empregado de confiançade um casal britânico de meia idade na sua fazenda, a 60 Km de Vila Pery. Com a morte do inglês, na década de 60, José substituiu-o na administração da propriedade... e no leito da viúva. Esta acabaria por falecer anos mais tarde, num desastre de viação, quando se deslocava na companhia de uma filha. 5This website was created using MAGIX Website Maker. You will need the current version of Adobe Flash Player to view it. Further information can be found at magix.info - the Multimedia Knowledge Community by MAGIX, the market leader for music, photo, and video software. |