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Juramento de Bandeira

E iniciaram-se outras férias. As raparigas não largavam a porta. Todas queriam conhecer-me e ver-me fardado. Nunca tinham visto um pára-quedista. Um dia seguia com duas jovens vizinhas de braço dado da casa do meu avô em direcção ao cruzamento. Lá a frente avistei um grupo de cerca de 12 rapazes com idades compreendidas entre os catorze e dezasseis anos. De repente começaram a chover pedras na minha direcção. Começo a enervar-me. Um pára-quedista nunca recua. Não era assim tão burro como isso. As jovens apercebendo-se do perigo puxaram-me para dentro de um tasco pedindo-me que me refugiasse, que elas resolviam o problema. Foram falar com os rapazes e disseram-lhes que eu era da terra.

Responderam que as raparigas andavam todas atrás de mim e que isso não era justo. Depois de ter frequentado o curso de combate, iniciaram-se outras férias, começando a passear pela cidade de Viana do Castelo. Não conhecia ninguém, não tinha amigos, era um estranho no meio das gentes daquela Urbe. Aquela vida parecia não ser a minha, não era a minha realidade, sobretudo numa idade em que as amizades são mais importantes do que tudo.

Fui dar uma volta pelo jardim público e na esplanada do café girassol encontravam-se sentadas a uma mesa quatro jovens donzelas que falavam alegremente. Sentei-me numa outra mesa, mas ao lado encontravam-se sentados dois rapazes que olhavam fixamente para as jovens, comendo-as com os olhos. Uma delas engraçou comigo e olhando de vez enquanto na minha direcção piscava-lhe o olho para se aperceber do meu interesse por ela. Pagaram a conta e seguiram as quatro em linha na direcção da ponte metálica. Levantaram-se os dois indivíduos. Pensei logo. Estou sozinho mas não vou deixar que me roubem a miúda. Passei-lhes a frente e encostando-me a elas digo. “As meninas dão-me licença? posso fazer-lhes companhia? disseram que sim.” Os rapazes desanimados lá se foram embora para outras bandas. “Sabem, eu vim de Moçambique para cumprir o serviço militar. Sou pára-quedista. Meu nome é Domingos, como se chama a menina? Rosa! respondeu. Bem não se importa de ser minha madrinha de guerra? Aqui começou o blá-blá-blá e depois foi só a troca de endereços. Acompanhei-as até ao fim da Rua Manuel Espregueira onde me despedi. Escrevia-lhe cartas todas as semanas.

As vezes vinha passar os fins-de-semana à Viana do Castelo, sempre à boleia, pois quase toda a gente gostava de ver e dar boleia aos pára-quedistas fardados. Só custava arranjar boleia entre Tancos e Coimbra e do Porto a Viana do Castelo, devido a pouca quantidade de veículos automóveis.

CURSO DE PARAQUEDISMO

Almoço após ter recebido a boina verde

Desligue a música acima e Click na guitarra

"Incorporando-me no Regimento de Caçadores Pára-quedistas, prometi cumprir rigorosamente as ordens dos superiores a que estive subordinado, respeitei e tratei com afeição os irmãos de armas e dediquei-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja Honra, Integridade, e Instituições, defendi com o sacrifício da própria vida !"

Madrinha de Guerra

Lario Rosa

Passeava pelo jardim público

Escrevia-lhe cartas todas as semanas

Sempre à boleia

DIA DO JURAMENTO DE BANDEIRA

0 http://www.geocities.com/Area51/5906/cancioneiro.htm?200823#andas%20em%20terra 




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