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O 25 de AbrilOs acontecimentos deste dia revelavam que o Movimento das Forças Armadas estava organizado e que era mais do que uma organização corporativista. Os militares da Revolução preconizaram um momento da História Portuguesa, com milhares de outros protagonistas anónimos. Situações impossíveis apenas 24 horas antes, marcaram os derradeiros momentos do Estado Novo. Imaginemos o Terreiro do Paço entre as 8 e as 11 da manhã, o Largo do Carmo ao meio-dia, e, mesmo, a tensão vivida na António Maria Cardoso durante toda a tarde. Foi a Revolução dos Cravos.No mês de Outubro 1974, através do jornal notícias tive conhecimento que tinha aberto concurso para Guardas provisórios na PSP. Regresso a Portugal, onde presto provas. A 30 de Dezembro do mesmo ano inicio assim o curso de Guarda Provisório na Escola Prática de Polícia, em Oeiras.11 de Março 1975(Divisões profundas entre oficiais do MFA. A ala spinolista é levada a tentar um golpe de estado. Insurreição na Base Aérea de Tancos e ataque aéreo ao Quartel do RAL1 . Fuga para Espanha do General Spínola e outros oficiais. Reforço da capacidade de intervenção do COPCON chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho.) No dia onze (11) de Março de 1975, da parte da manhã, estava a atravessar a parada quando vejo rasgar o céu um avião militar. Era dia de comemorações da Polícia e dia considerado feriado para a corporação, no entanto recebo ordens para comparecer à formatura.Hoje vamos ter instrução de tiro na carreira de tiro em Setúbal disse o Subchefe. Houve quem estranhasse e comentasse que alguma coisa se estava a passar. Chegados à carreira de tiro, ainda não tínhamos iniciado o fogo quando se avista lá em cima no morro um grupo de cerca de 20 civis munidos de paus e forquilhas. De repente alguém que tinha levado com ele um transístor disse; ouvi o General Spínola a ordenar uma contra-revolução. Cerca de dez minutos depois chega um jipe militar e dirigindo-se-nos um Alferes, ordenou. Venho buscar as vossas armas. Para vossa segurança fiquem todos aqui até novas ordens. Ninguém entendia o porquê daquela atitude, mas alguém logo disse: “ É o início de uma guerra civil e mandaram-nos para aqui, logo hoje que é o dia da polícia”, e ainda por cima sem transporte para podermos regressar. “É de desconfiar, dizia logo outro”. O Subchefe Cavaleiro comentou, “Já estou a ficar chateado com isto”. Todos nos apercebemos que a nossa colocação naquela carreira de tiro tinha sido intencional. “ Eu trouxe roupa civil por baixo do fato-macaco” retorquiu o Morais. Então tira o fato-macaco e vai à primeira povoação que encontrares e telefona à escola prática, mandou o Subchefe. Não, disse outro, vamos todos e ele vai à frente. Assim foi. Ao chegarmos a uma estrada encontramos uma cantina. Contactou-se com a Escola Prática e determinaram que aguardássemos no local até que alguém nos fosse buscar. Alguns comiam cebolas com sal. Outras sardinhas enlatadas. Era o que havia. Já era noite quando chegou um autocarro militar com escolta, para nos levar de volta. Junto à portagem da Ponte 25 de Abril, todos os veículos e pessoas estavam a ser inspeccionadas por militares e civís.Jura-se bandeira e sou colocado como Guarda de 2. Classe na 28. Esquadra da 4. Divisão em Alcântara.Uma noite, (cerca das 04H00 da madrugada,) estava eu de sentinela quando vejo passar um carro a circular muito lentamente com 4 indivíduos encapuzados. Levanto a BERETA para cima e caminho com cautela na direcção deles. Neste momento o seu condutor apertou no acelerador e fugiram a alta velocidade. Voltei para trás e disse ao Subchefe de serviço o que tinha visto. “Foi para isso que me acordastes? - retorquiu. Não ligou nenhuma e passados que foram cerca de 20 minutos a Esquadra recebe a informação que a 24. Esquadra tinha sido atacada à granada. Eu não lhe disse que tinha visto os fulanos? O alvo era de certeza esta Esquadra.No mês de Novembro sou integrado o 1. Pelotão de intervenção sediado no Comando-Geral. Manhã de 25 de NovembroNa sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 camaradas de armas de Tancos, paraquedistas da Base Escola de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva. Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove como o indício de que poderia estar em preparação um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país. Assim: Tarde de 25 de NovembroElementos do Regimento de Comandos da Amadora cercam o Comando da Região Aérea de Monsanto. Noite de 25 de NovembroO Presidente da República decreta o Estado de Sítio na Região de Lisboa. Militares afectos ao governo, da linha do Grupo dos Nove, controlam a situação.Prisão dos militares revoltosos que tinham ocupado a Base de Monsanto. O meu pelotão é destacado para a Calçada da Ajuda. Ao passarmos em frente ao quartel da polícia militar verifiquei que civis estavam a abrir uma vala na estrada, para fecharem o trânsito. Ainda conseguimos passar. Ao longo da calçada da Ajuda fomos distribuídos um a um. A mim tocou-me ficar em frente ao portão lateral da Presidência da República. Os civis que quisessem subir eram impedidos. Cerca das 06H00, começam-se a ouvir tiros vindos do quartel de cavalaria. O Subchefe que no momento empunhava uma pistola-metralhadora Bereta, entra nos terrenos traseiros da presidência e procura defender aquela parte do edifício. As rajadas eram imensas e não se sabia ao certo quem era o inimigo. Comandos da Amadora tinham atacado o Regimento da Polícia Militar, unidade militar tida como próxima das forças políticas de esquerda revolucionária. Chegam alguns chaimites comandados por Jaime Neves. Param e ele pergunta o que estávamos ali a fazer. Respondi que tinham sido ordens superiores por causa do recolher obrigatório. Metam-se todos na guarita da presidência. Não quero ver polícia nenhum na rua. De repente ocorreu ao local um oficial da presidência e coloca-se em frente ao xaimite comandado pelo Jaime Neves. Com os braços abertos disse. “Tem calma, não avances”. Jaime Neves estava furioso, tinham-lhe comunicado que já tinha tombado um homem seu. “Sai da frente se não passo por cima” gritou. Deu ordens ao condutor e o chaimite roncou rua acima. Os tiros continuavam a ouvir-se mas agora com menor frequência até que chegou o silêncio e a dado momento começa-se a ver indivíduos mal uniformizados de mãos em cima da cabeça e escoltados por militares. Após a rendição da PM, há vítimas mortais de ambos os lados. Em Janeiro de 1976 sou transferido a meu pedido para a PSP do Porto, onde sou colocado na 1. Esquadra. Notei a diferença entre a PSP do Porto e Lisboa. Os civis respeitavam mais a polícia porém os Subchefes eram considerados pessoas dum poder forte e absoluto. Pairava o medo quando se lhes dirigia a palavra. Faziam-me lembrar os Sargentos Pára-quedistas a lidar com os recrutas.No mês de Março, do mesmo ano ingressei no Corpo de Intervenção Localizado na Calçada da Ajuda, 231300 LISBOAEra uma unidade de reserva da PSP, na directa dependência do Comando-Geral, especialmente preparada e destinada a ser utilizada em: a) Acções de manutenção e reposição de ordem pública; b) Combate a situações de violência concertada; c) Colaboração com outras forças Policiais na manutenção da ordem, na acção contra a criminalidade violenta e organizada, na protecção de instalações importantes e na segurança de altas entidades; d) Colaboração com os comandos no patrulhamento. Click na imagem para ver o filme O 25 DE ABRIL 10 20 http://www.youtube.com/watch?v=ti8AsJZdbDUThis website was created using MAGIX Website Maker. You will need the current version of Adobe Flash Player to view it. 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