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Chegados a Lourenço Marques, imediatamente saímos para fora do Navio e recusamos seguir viagem. Algumas horas depois somos colocados na base aérea localizada junto do Aeroporto de Lourenço Marques a fim de aguardarmos embarque de avião para a cidade da Beira. Conhecia a cidade tão bem como a palma da minha mão. Os colegas pediram-me para os levar a passear pela cidade o que fiz, mas para me vingar, (pois sempre lhes dizia) "vocês gozam comigo aqui no continente, mas quando chegarmos a Moçambique será a minha vez, não se esqueçam" levei-os antes a conhecer os subúrbios da Avenida do Trabalho e o lugar conhecido por zona perigosa, locais onde habitualmente trabalhara.

Percorria-mos os carreiros apertados junto a um rego de água ao lado do caniçal das palhotas.As pessoas que me conheciam ficaram surpreendidas de me verem fardado. Os pára-quedistas tinham muita fama de bons combatentes no norte de Moçambique porém os indígenas não se mostravam muito amistosos perante esta farda. A dado momento os colegas começam a sentir receio daquele local e imploravam-me para os tirar daquele labirinto.

Já no fim da segunda semana de intervenção operacional, fomos apanhados por uma emboscada. O cão do meu colega foi abatido a tiro pelo inimigo. A ordem de passa a palavra chegou rapidamente. O lário que avance com o cão dele para a frente da coluna. Na deslocação cuidada para a base inimiga, numa distância superior a duas horas de caminho, foram detectados indícios de acampamentos. Isso não impediu a continuação da marcha até ao local onde a coluna foi alvo do rebentamento de uma granada armadilhada junto a uma picada. O Guia foi atingido com estilhaços junto a braguilha e eu apenas sofri com alguma terra projectada atingindo-me a cabeça. Posicionados nos locais mais apropriados por questões de segurança, o enfermeiro tratou do ferido, colocando compressas e torniquete para estancar a hemorragia. As tentativas de comunicações rádio, através do PRC-10 não resultava, tal era a distância à base. O operador foi tentando, tentando, enquanto tinha bateria:- Novembar, Novembar, aqui Alfa, escuto! aqui Alfa, escuto... Que porcaria de rádios... não chegam a lado nenhum! Tanto insistiu até que apanhou o Ronco de um helicóptero. Pediu para mandarem o Novembar evacuar o ferido, dando as coordenadas da picada.

No BCP 31, antes de partir para o teatro de guerra fazíamos alguns e bons petiscos com parte da carne de vaca que deveria destinar-se aos cães.

No mês de Maio a Novembro de 1968 efectuei Missões de Combate em (MOEDA/NANGOLOLO) onde fui integrado na 4. Companhia cujo comandante foi o Tenente Lousada e posteriormente 2. Companhia, tenente Martins.

Encontro com meu irmão Adelino em Mueda.Quando crianças sentíamos a cumplicidade no olhar, as brincadeiras, as broncas, no sentar para comer, as fantasias próprias da idade. Quando sentires uma brisa leve sou eu a abraçar-te, é a saudade dentro do meu peito, o pulsar do coração, é a esperança de te alcançar, de ver meu irmão a casa retornar.

Ninguém assumia a responsabilidade, porém, alguém disse. “ Vai o Lário que é o mais velho”. Assim foi. Na presença do Comandante esclareci que aquilo não era uma greve mas sim, que durante o treino fomos sempre bem alimentados e não treinados para comer daquela forma e habituados a este tipo de situação e que devido ao enjoo, não conseguia ingerir a alimentação fornecida pelo navio, acrescentando-lhe que me sentia bastante doente e receava não chegar ao destino. Nesta altura o Comandante priviligiou os pára-quedistas, com refeições na cozinha do navio, o que evitava o rancho geral, um desconforto para quem viajava no mar alto, durante tantos dias. O navio atracou em Luanda e ao reiniciar viagem voltou tudo à estaca zero.

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