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pag.2Antes de atingir a aldeia e acerca de três quilómetros, o Subchefe Rodrigues determina para que fiquemos ali porque o nosso carro (ligeiro de passageiros) não passava devido às crateras provocadas pelos bombardeamentos. Lá ficamos ali abandonados sem saber o que fazer. Passados alguns minutos um civil Sérvio, aproximou-se e disse apontando para umas montanhas cobertas de uma extensa floresta. Ti , lá, muçulmani, pum, pum. Logo nos apercebemos que estava a tentar dizer que do outro lado era terra Bósnia Muçulmana e que nas montanhas haviam atiradores. Convidou-nos a ir até sua casa ali perto, onde nos ofereceu um bagaço feito de ameixas. Era muito amargo mas tínhamos que aceitar pois estava informado que a recusa era considerada uma ofensa. Pouco tempo depois passa um carro com civis meios fardados que vendo ali o carro da ONU estacionado começam a falar agressivamente. Estavam zangados com a situação e começaram a manifestar-se negativamente contra a nossa presença no local.Valeu o Sérvio que estava connosco dizer que éramos portugueses. Foi um alívio.Os Sérvios gostavam de nós e logo começaram a dizer entre outras palavras “Benfica, Eusébio”. O Rodrigues demorava a regressar e então resolvemos voltar para trás sozinhos, pois se assim não fosse e com a insistência de bebe mais um ect, dali a pouco poderíamos ficar embriagados. Regressamos e cerca de uma hora depois chega o Rodrigues que se manifesta bastante angustioso com o panorama que tinha visto. Disse que vários lavradores Sérvios tinham sido degolados pelos Muçulmanos. DVOR ficava a dois quilómetros da fronteira da Bósnia e como a nossa casa ficava numa encosta bastante elevada, conseguia-se ver a cidade muçulmana mas controlada pelos Sérvios. Estávamos proibidos de visitar esta cidade como também era perigoso circular por lá, pois havia combates e troca de tiros todos os dias. Um dia á noite, mais parecia o fogo de artifício das festas da Senhora da Agonia. O efeito das bombas lançadas cruzava os ares aos ziguezagues, alumiando os tectos dos prédios. Nas encostas das montanhas dezenas de casas ardiam. Entre os colegas sempre se comentava o que se estava a passar. Era uma coisa nunca visto. Inacreditável. O melhor é participar isto à Nações Unidas dizia um colega. Não, disse eu. Nós só temos que nos preocupar com o que se passa na nossa área de jurisdição. Deixem isso para os observadores militares, até porque se nós participamos, as nossas relações com as autoridades locais podem azedar o que não é bom para a nossa segurança. Todos concordaram comigo.Já me encontrava há cerca de dois meses em Dvor, quando surge a notícia de que tinha havido um acidente de trânsito envolvendo portugueses. Um deles depois de socorrido ficou de coma largos meses vindo a falecer em Portugal. Em Dvor estavam colocados oito polícias portugueses e na localidade de Slung idêntica quantidade de polícias polacos. Comando Central da Civpol determina que quatro portugueses tinham que ser transferidos por troca com os Polacos, pois segundo as normas da ONU, tinha que existir em cada Esquadra um número igual de polícias de cada nacionalidade. Fui um dos nomeados e colocado em SLUNG. Aqui fui viver para uma casa juntamente com o colega RAÚL FERRÃO, á porta de armas do batalhão militar Polaco. Aqui comprei dois cabritos, um que foi morto no acto da compra e o outro ficou preso no quintal para ficar para mais tarde, devido não haver electricidade para pôr o frigorífico a funcionar. Cerca das 3 da manhã ouvi o cabrito berrar, berrar, berrar,mas a dado momento silêncio total. Pela manhã verifiquei que o tinham furtado. Durante as patrulhas dava para ser fotografado junto das casas abandonadas pelos croatas. Para além de ter a missão de patrulhar a área, existiam duas famílias de refugiados Croatas no Hotel por lhes terem queimado as casas. Eram-lhes dada a respectiva protecção 24 horas por dia. A noite ficava-se num quarto ao lado do deles à luz da vela. Estavam a espera de negociações entre as autoridades Croatas e Sérvias, para que os mesmos pudessem passar a fronteira para o outro lado.Um dia fui visitar uma igreja católica que tinha sido destruída pelos Sérvios e cá fora ainda existiam vestígios de uma cruz com Jesus Cristo, como se pode verificar pela imagem. GUERRA NOS BALCÃS Esquadra da ONU em DVOR 27This website was created using MAGIX Website Maker. You will need the current version of Adobe Flash Player to view it. Further information can be found at magix.info - the Multimedia Knowledge Community by MAGIX, the market leader for music, photo, and video software. |