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O Sr. Intendente determinou e a ordem tinha que ser cumprida. No dia seguinte fomos visitar a localidade em questão. De imediato nos apercebemos porque era que os outros não queriam trabalhar ali. Para além de ser uma área perigosa, era uma aldeia com pouca população e as casas que apareciam para alugar não tinham condições de habitabilidade. Uma casa tinha que possuir os mínimos possíveis, incluindo camas e um fogão, o que não era o caso.

Voltamos para trás e passados cerca de uma semana instalados no Hotel sem nada fazer, fomos visitados novamente pelo Sr. Intendente vindo da capital KNIM, que nos disse já terem arranjado uma casa e que tinha todas as condições necessárias a ser habitada por nós. “Responde o Faria.” Bom, se assim é, que nos venham buscar para ver se nos agrada. Não, não é necessário. Garanto-vos que tem condições e podem preparar as malas. Saiem daqui as 17H00. Estranhei o facto de sairmos muito tarde pois iríamos ter de chegar ao destino já de noite pois distava dali cerca de quatro horas de viagem. Chegados à casa, não deixava dúvidas que tinha condições, mas perante a nossa admiração o casal de idosos também tinha que partilhar as mesmas instalações, nomeadamente a cozinha. O Leopoldo e o Faria queriam voltar para trás. Assim não. Não vamos partilhar a casa com eles. “Drobadam” Kacosté”

Ter que os aturar durante meses é demais, até porque a renda é muito cara. Tive que interferir e disse. O Sr. Intendente fez confiança em nós. Ele prometeu que os portugueses iriam resolver o problema desta zona. Nós ainda não conhecemos a área. Com o tempo temos possibilidades de encontrar outra casa. O casal apercebendo-se que havia descontentamento lá foi dizendo para a intérprete que se nós quiséssemos podíamos passar ali a noite que não pagávamos nada. Palavra daqui, palavra dali acabamos por concordar alugar a casa se a cozinha ficasse à nossa disposição o que eles aceitaram, desde que os deixassem ver a televisão quando houvesse energia eléctrica. Negócio fechado. No dia seguinte, descobrimos que o casal tinha uma adega cheia de barris de vinho da região. Aquela localidade era muito rica em vinho. Passamos a ter dois litros de vinho gratuito todos os dias.

Um mês depois, corriam rumores que os Kenianos tinham relações sexuais com as intérpretes. Também corria rumores que o Comandante do batalhão militar Keniano frequentava a casa dos polícias Kenianos onde também constava ter relações sexuais com elas. Estava proibido pela própria ONU existirem relações de afecto entre membros da ONU e suas funcionárias. Devido às suspeitas havidas, foram os mesmos apanhados em flagrante delito que obrigou a processo disciplinar e a serem recambiados para o país de origem. Assim, foram eles substituídos por dois Dinamarqueses, tendo um deles ocupados a vaga do comandante. Mais tarde o Comandante Dinamarquês é substituído por um Norueguês.Um dia descobriu-se que uma família Sérvia tinha como cativeiro duas famílias de Croatas escravizando-as no trabalho do campo. Quando interferimos, os Croatas foram colocadas numa casa com o fim de aguardarem autorização de serem levadas por nós para a Croácia. Durante o tempo de espera descobrimos que já não se alimentavam há vários dias. Reunimos o que pudemos e fomos levar-lhes alimentação adquirida por nós.

A casa era controlada pelos militares Sérvios bem como por um casal da mesma nacionalidade. Este casal foi advertido por mim, dizendo-lhes. A vida dá muitas voltas. Sabe-se lá o que pode acontecer amanhã a esta terra.

Depois da interprete lhes ter traduzido o que eu dissera, a mulher reagiu agressivamente com palavras que não percebi, nem a interprete desejou dar-me a conhecer aquela resposta possivelmente muito desagradável. Dois meses depois, a tropa croata tenta invadir a Krajína. As esquadras são quase todas evacuadas. O pessoal da ONU foge para KNIN capital do Sector Sul, abandonando os haveres pessoais e material da própria ONU.O pessoal da minha esquadra concentra-se na Esquadra de Kistanje.

Esquadra de Bratiskovici

GUERRA NOS BALCÃS

Entrada de Bratiskovici

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