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Pag.4O suor já tinha conquistado o meu casaco!Eram dias no mato a ansiar por poder tomar um banho e poder deitar-me ao comprido sobre algo que não fossem pedras e mato, e de repente a solidão. Sem aviso. Os olhos a fugirem-me para uma insignificância qualquer Por vezes, ficava a olhar para uma simples árvore, a pensar o que ela faria se não estivesse mais ali...À noite a Lua lá em cima aproxima-se. A Lua pode ver-nos a todos ao mesmo tempo e isso dá-me uma ilusão de proximidade. Os sacos de campanha, acomodados sobre as fardas húmidas e sujas, haviam já sido aliviados de algumas latas de conserva de carne de porco. Mais leves, olhos já lavados no orvalho do capim alto, e em fila indiana, aproximavamos já duma picada batida. Ali mesmo foi decidido montar uma emboscada. E, quando os raios de sol tropical já rasgavam as copas das árvores, espalhados por entre os arbustos, aguardava-se silenciosos.O silêncio magoava! Era duro! Já durava horas! De repente explode uma granada, mais outra e outra. No trilho um turra corria, corria e gritava “iôô, iôô! Felizmente para quem acredita em milagres, nenhum estilhaço atingiu o homem.Nada mais aconteceu naquele dia que desse cor àquele quadro vivo de corações enervados. Com o cair da tarde o Tenente determina a retirada para pernoita. Impunham-se cuidados especiais neste “mudar de sítio” O novo local de pernoita não era diferente. As mesmas árvores, o mesmo céu, a mesma terra seca, os mesmos pássaros e, até, as mesmas formigas carnívoras que nos obrigavam a correr para não sermos picados. Ao meu lado, o Bexiga segredava-me. Isto já não dá nada! Quase não há ração, a água é pouca. Pois, retorqui! Os bidões com água que o carregador leva com ele é destinada ao cão e por isso, faz como eu, aguenta.Eram já 11 da manhã do outro dia. Mais cinco horas eram passadas com nova espera. De novo o silêncio, de novo a inquietude ansiosa de outra emboscada. Foi então, que um tiro seco soou. Seguiu-se um desordenado e barulhento pegar nas armas em repouso junto aos joelhos. Ouvidos atentos, olhos a girarem em todas as direcções, interrogativos, numa fracção de segundos. De repente, o ar em volta é cortado por uma sinfonia macabra de tiros. O sargento grita: Porra… Parem o fogo! São Comandos! Do outro lado ouvem-se gritos: Somos Comandos! “Estavam enervados por lhe terem abatido o guia”. Estabelece ligação rádio com os Comandos que eu quero falar com os gajos! – Balbuciou o tenente, já preocupado com toda aquela situação nada agradável. “Então vocês mandam o vosso guia à frente? Os meus homens abateram-no porque julgavam tratar-se dum turra. Vozes agitadas vindo do lado dos Comandos soterravam os nossos ouvidos. “Foram eles que deram o primeiro tiro, meu alferes!”A progressão de regresso passou a ser mais lenta. Apre, esta porcaria está cheia de feijão macaco!.. vociferou o Bexiga, enquanto se coçava aflitivamente. Aquele pó que as malvadas feijocas libertam ao serem tocadas era mesmo demoníaco. A comichão não passava, sem que a pele ferida de arranhões fosse esfregada por cinza de queimada recente. Valeu, a voz rouca das berliés que já se encontravam a nossa espera na estrada de terra vermelha e que nos iriam levar de regresso a Mueda. O ULTRAMAR 3This website was created using MAGIX Website Maker. You will need the current version of Adobe Flash Player to view it. Further information can be found at magix.info - the Multimedia Knowledge Community by MAGIX, the market leader for music, photo, and video software. |